Sábado, 4 de Abril de 2009

“Vamos para Asnela com os quatro sóis saltitantes (Ana e Francisca do Porto e Ana e Alice do Imaginário). Ir para Asnela é a viagem prévia, como uma viagem iniciática, antes da Barroca. (…) O ar frio de Asnela pica. Estou ansiosa por chegar à Barroca.

Preparo-me.

Sinto alguma apreensão, mas sem representações do Outro, sem me constranger ao que as palavras dos meus colegas de mestrado me transmitiram nos fóruns. Fico sempre tão surpreendida com aquilo que os vocábulos me dizem dos outros e receio sempre aquilo que os meus vocábulos podem dizer de mim. “

 (Ana da Palma)

 

 

“(…) que suplicio! A certeza de querer ir, mas...a incerteza do que se ia passar! Ai que saudades vou ter do meu maridinho e da minha cadelinha...”

(Ana Ambrósio)

 

 

“(…) É sempre a mesma confusão de todas as vezes que tenho de sair mais de 26 horas para longe do armário da roupa. E de todas essas vezes, discuto de mim para mim, intermináveis considerações sobre as dificuldades do que levar numa mala pequena...bem pequena.

- E a roupa?
- A roupa?!
- Sim, o que pensas levar?
- Sei lá eu...vai estar sol, não vai?
- Mas não vais ter actividades?!
- Sim, vou...quer dizer, eu acho que vou...quer dizer, vou...
- Então pensa lá bem...
- Mas...mas...oh pá...vou levar o quê?...”

(Alexandre Martins)

 

 

“(…) a correr de um lado para o outro, fazer a mala, ver se não esqueço nada. Amanhã estou a caminho. Amanhã vou conhecer pessoalmente todos/as aqueles/as com quem tenho falado e não conheço, ou já conheço!?!? Estou ansiosa… Quero e não quero?... E se corre mal?... E se… Se… Qual se! Bora lá! Mala, mochila do computador, tudo em ordem! Amanhã… Amanhã… até amanhã… “

(Maria João Veloso)

 

 

“-Tem bolas?
- Sim, temos...mas bolas de quê?
- Mas tem muitas?
- Precisa de muitas bolas, é?
- Muitas bolas mesmo.
- Mas que bolas?
- Bolas, normais...as boas.
- Sim, claro, mas repare, nós temos três variedades de bolas...
- Ah! Desculpe! Bolas de berlim, cá da casa.
- Pois muito bem, e quantas vai querer?
- 35!
- Bolas!
- Sim, de berlim, já lhe tinha dito não tinha?
- Não, digo eu bolas para tanta bola!
- Ah, sim, pois..

(…)

O senhor chegou com um carregamento delas.
- Olhe, eram 6 bolas de berlim, se faz favor? Quanto é? - disse uma loira de casaco preto e óculos escuros por cima da testa.
- Para mim, são 4 - atirou logo de rajada um senhor de bigodes e de ar circunspecto.
- Olhe, eu queria uma agora e embrulhe-me outras 7 para levar - falou um jovem alto, de calças quase a cair.
O senhor, atrás do balcão, olhou-os por cima dos óculos, sorriu ligeiramente e disse, virando a cabeça lentamente para mim:
- Este senhor acabou agora mesmo com o stock, agora só amanhã às 16 horas.
Nem me atrevi a olhar para aquelas alminhas. Pobres alminhas ávidas...
Senti, qual fino estilete, um frio penetrante pela minha nuca adentro.
Observei, de costas, os olhos nas minhas costas de todos quantos tinha acabado de defraudar num bonito Sábado de sol.
Provavelmente, todas as "macumbas" do universo serão, nos próximos segundos, direccionadas para mim e para as minhas bolas.
Desde que amanhã esteja no Fundão...”

(Alexandre Martins)

 

 

“Oh meu Deus é amanhã, é já amanhã! Mas como é que o tempo passou tão rápido? Vai ser fixe! (ai,ai...) Não... vai ser fixe! Há-de haver pelo menos um ou dois com quem dê para conversar!  E a plataforma? E como é que fica aquilo em Filosofia? Ainda deveria ir postar umas coisitas! Oh, já não tenho tempo!! E o saco? Jenny, és sempre a mesma coisa, sempre tudo para a última, ainda há-de acabar por ficar em casa a maior parte das coisa (…)Bem agora vou-me despedir da minha caminha e almofada que estarei sete noites sem elas... ai, tanta noite! Será que vai custar muito? Ai, Ai...”

(Jenny Sousa)

 

 

“A mala estava já feita. Já vinha feita da Madeira, atravessou o Atlântico, passou no Porto e agora está aqui. Aqui em Coimbra, cidade natal que raramente vejo e que raramente páro para ver. Ainda ontem cheguei aqui e amanhã já vou embora. Desta vez a Páscoa não será para ver a família, que aqui ficará um pouco mais triste por me ver chegar e logo partir. (…) O que irá acontecer por lá? Como serão os meus colegas? Como será a pousada? Estou cheia de vontade de ir mas cheia de vontade de ficar... Será que vou reconhecê-los? Quem irá de comboio? Não deveria ir à plataforma uma última vez? Pipa, tens de dormir! Amanhã o dia vai ser muito longo! Tens de dormir... dormir...”

(Filipa Silva)

 

 

“Tento não pensar no dia de amanhã… O facto de passar poucos dias por ano no lar onde cresci (casa dos meus pais), torna os sabores, os cheiros, as horas... diferentes. O tempo, esse maldito senhor, voa como um falcão em direcção à sua presa.

Tento não pensar no dia de amanhã…

A pequenita Inês, primeira sobrinha da família, é o centro das minhas atenções! (…) - Bolas! Tenho de vir ao continente mais vezes. Mas o trabalho… sempre o trabalho. A mala está no mesmo sítio de sempre, ao fundo da cama. Desta vez mal a abri. Ao lado a mochila do computador. Inexplicavelmente hoje não o liguei. Estranha esta ausência, será este “retiro” um gesto premeditado do meu subconsciente?

Tento não pensar no dia de amanhã…

Casaco de penas; máquina de filmar; fato-de-treino pronto a estrear; Kit de primeiros socorros (manias de escuteiro!!!). Sim, penso que não me falta nada! - Pipa, já comprei os bilhetes de comboio para Lisboa… Partimos às 9h50. (…)

Tentando não pensar no dia de amanhã,  não é que passei o dia todo a congeminar sobre o assunto!”

(João Borges)

 

 

- Bela? ‘Tas aí?

- Agora ‘tou, o Miguel trouxe o computador enfim , diz…

- Olha que às 14:30 vou buscar-te para a palestra do teatro, tens de ‘tar pronta….

- ‘Tá! Vai parecer muito mal chegarmos atrasadas à Barroca?

O meu filho mais novo:

- Mãe o pai diz se já não queres o café?

- Diz-lhe que sim, só estou a falar com a Sandra!

- Pai a mãe diz que sim! Está sentada na escada no MSN a falar com a Sandra.

- Toma o café. Deve haver sítios mais confortáveis….

- Obrigada pelo café… tenho mesmo de falar com a Sandra, deixa-me cá!

- Sandra responde, vai parecer mal, mas também a palestra tem a ver com o mestrado…indirectamente, claro.

- Eu, já avisei, logo se vê, pode ser que possamos sair mais cedo da palestra.

- Até amanhã então

- ‘tá, xau!

Dormir, tenho de dormir. Amanhã preparativos de última hora e lá vamos nós. Despedidas, odeio despedidas. Vou deixar as minhas duas vidas, vou ter tantas saudades deles. Só nós as duas para nos metermos nisto. E eu bem que já tinha idade para ter juízo, porque é que nunca consigo parar… valha-me Deus. Não há-de ser nada…”

(Anabela Figueiredo)

 

 

“Como pode alguém partir deixando pedaços de si para trás? Esta questão atormentava-me e era a única nuvem cinzenta no prometido céu azul. Andei a fazer a habituação (minha e deles) nos fins-de-semana antecessores. Levava-os para casa dos avós e eles enganados pelos coelhinhos, patinhos, laranjas à espera de serem apanhadas, ficavam todos contentes. Eu é que voltava para uma casa vazia de risos e brincadeiras. Hoje, levei-os para ficarem uma semana. E não consigo ir embora. Fico aqui até amanhã. Já não vou fazer o bolo de chocolate que prometi à grávida… (…) Até aMAEnhã…”

(Sandra Rodrigues)

 

 

“Estava tudo pronto, tudo organizado… Lídia ficava com o pai, super contente de poder tomar conta dela e ficar uma semana com a nossa filha sem a mãe, chata, a dizer coisas… A boleia para ir a Lisboa… a Cristina a combinar comigo as horas de saída, e a sua clara positividade e entusiasmo para o estágio… Tudo perfeito… quase. Eu não estava pronta… preparada; queria só que nunca chegasse amanhã!!! Estava com medo de tudo… será que vou conseguir? Será que estou ao mesmo nível dos outros? Será…? E depois os colegas da Wiki! Não!!!!  (…)… Tenho que ir, vamos ver.”

(Albina Petrolati)

 

 

“Estou tão calma!?!?... não é normal! Bem… depois de uma semana inteirinha a “bater o pé”, para poder fazer o MAEretiro… sim é normal! Desta vez não quero stressar… Já bastou a … do dia 14 de Fev.… A roupa está escolhida… Mala? Mochila? Saco?... Pelas imagens… Mala com rodinhas não me parece... ok! O meu red bag! E mais outro para o portátil e etc.

Ups! Falta espaço para o material didáctico (verdadeiro): numa mochila! O tecido já não voltará… as tintas também não… depois será menos um volume. (…) Ups! Já são18h. Tenho que comprar o Licor de Leite e ir buscar a encomenda dos Bolos de Pinhão! Espero que os MAE’s gostem! (...) Já estou arrependida por não ir de comboio com todos os MAE’s… até seria bom para eu perder a minha timidez inicial… Bem vou me deitar! Amanhã será um grande Dia… “

(Elsa Mesquita)

 

 

“«O que eu dava para não ter que ir a este casamento»- penso eu enquanto maquilho os olhos -  «Tenho tanta coisa para fazer! E FILARTE? Será que eles estão a acabar tudo? Hoje já não devo conseguir ir antes da meia noite... Ainda por cima o salto do sapato está torto. Com sorte dou um malho, parto o pé e tenho uma desculpa para faltar ao estágio! Ou então... passo o estágio todo de perna ao alto... É melhor ter cuidado e andar agarrada ao João na calçada. E na relva. E nas subidas. E na igreja, se tiver aquelas pedrinhas traiçoeiras. AAAAI! Será que já é demasiado tarde para cancelar? Claro que é, é só....» (…) Amanhã era o dia da verdade e eu tinha que me preparar para isso. Custasse o que custasse, ia dar o meu melhor, ia fazer aquele estágio e ia acabar este mestrado. E foi com esse pensamento que fechei os olhos, para abraçar mais uma noite agitada.”

(Ana Ferreira)

 

 

“* Receio: " eu não conheço esta gente, e se são todos muito competitivos e não me querem emprestar material para estudar, é que eu só levei o livro de didáctica, não levei nenhum outro da bibliografia, e vou durmir com desconhecidos, o quarto não é individual... bem..nem sei será que me vou dar bem com eles? e se me fizeram perguntas pessoais?..., vou ter de responder...Oh não!!!... se não responder vão-me achar uma convencida de primeira e vão achar que tenho alguma coisa a esconder.. bem onde me meti?...

* Desejo de aventura: Mas o receio não é um obstáculo... Afinal nunca foi. Eu sou Aventureira e gosto de descobrir.. Vou descobrir a zona do Fundão e conhecer novas pessoas e apreender com isso. Desafios é aquilo que me move, vou pôr a prova o meu espírito de aventura... 

* Sede de conhecimento: Quero absorver tudo o que for dito naquela semana, já li o guião 3 vezes, vou ter aulas com diferentes professores e vou ter um bocado de várias Artes, visitas, encontros com a comunidade de lá...Fantástico...Vamos a isso, apreender e conhecer novos imaginários e novos cenários... Espero que eles me transmitem as suas experiências e que aprenda muito com eles...”

(Katy Nascimento)

 

 

“É a 1ª vez que vou ficar sem o meu filho tanto tempo... Mas é a 1ª vez que vou ficar sozinha com este/a filho/a sozinha... Também é a 1ª vez que vou ter tempo e actividades e convívio e sabe-se lá que mais só para mim desde há quase 3 anos... Estas eram os 3 pensamentos que me iam na cabeça no dia anterior a uma das viagens da minha vida! (pronto, já comecei outra vez a chorar...apre!!!!!!!!)

Entre gritos de filhos de um lado e de outro falei com a Albina para combinarmos os últimos pormenores da viagem para Lisboa. E agora, o que é que falta?? Ah! Deixar roupa e comida preparadas para os meus 2 homens cá de casa (mal sabia eu que já havia um 3º dentro da minha barriguinha..). Ok! Agora fazer a mala...Ai!! Onde é que eu vou meter tanta coisa...ainda por cima sem poder carregar pesos... vai ser bonito, vai!

“És maluca? A lavar o fogão a esta hora?” – dizia-me o meu marido já quase à 1h da manhã... Eu queria deixar tudo a brilhar e super confortável! Para não sentirem tanto a minha falta...

Findas as tarefas todas, fui descansar, não sem antes estrafegar o meu Raimundo lindo (que já dormia há horas)! E dormir?? Tal é a excitação! Eheheh! Vai ser altamente! “

(Cristina Fernandes)

 

 

“O dia antes de ir para a Barroca, já sofria a separação da filha e do marido, pois fui 1 dia antes para Lisboa às compras... No entanto, não era a 1ª vez que me separava deles. O facto de ser ilhéu tem as suas desvantagens.... Mas como foi para a casa de uma tia que é mais galinha que a mulher do galo de Barcelos, consegui aguentar-me!

Entretanto, ao meio de montras e roupinhas para a Lara, desabafava com a minha tia Lúcia:

" Já começo a sentir borboletas no estômago, só de pensar em ficar 1 semana com pessoas que conheço só de 1 dia..., o que vamos dizer?" E a minha tia sempre com o seu humor característico : "Contas 1 anedota! Ah!Ah!Ah!"

"Ò tia, 'tou a falar a sério! Mas realmente, não me vou preocupar por antecipação, quando lá chegar... cheguei! " "Ora bem, isso é que é falar!"

E pensei cá para mim: agora só tenho viagem Segunda-feira, por isso, é p'á Barroca, é p'á Barroca!

E não falámos mais no assunto!”

(Susana Abrantes)

 

 

O dia antes nada levei, O dia depois tudo trouxe!..

(Americo Roque)

 

 

publicado por daceaomundo às 06:00
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