Segunda-feira, 6 de Abril de 2009

 


"Onde há música não pode haver coisa má",

dizia Cervantes, na sua obra Dom Quixote

        

          Don Quixote - Salvador Dali - Museu de Barcelona

 

    Assim como acontece com os adultos, a música tem a capacidade de promover sensações e alterar o estado de espírito das crianças.

Ao nascer, e como diz o pedagogo musical Edwin Gordon[1] mesmo dentro da barriga da mãe, a criança entra logo num universo sonoro em que os sons nunca deixam de existir.
 Desde cedo as crianças devem receber estímulos sonoros, pois assim terão mais facilidade para desenvolver sua inteligência musical. A criança que aprende música ou toca algum instrumento geralmente demonstra maior concentração, perseverança, criatividade e percepção auditiva. A música também se mostra importante no desenvolvimento da inteligência emocional, além de ajudar na exteriorização de sentimentos (Gordon, 2000)[2].
Não é necessário ter conhecimento da escrita musical para proporcionar às crianças meios e motivações para desenvolver o seu sentido musical e para que possam satisfazer, neste domínio, as suas necessidades de expressão e de criação.
É apenas necessário que se goste de música e que se possua alguns conhecimentos pedagógicos. Qualquer pessoa, ainda que variando a maneira e a intensidade, é, ao mesmo tempo, um artista e um apreciador de música. Como artista, é o executor que combina a perícia com sensibilidade às qualidades das escolhas musicais. Tanto a execução como o resultado lhe trazem satisfação. E com base na satisfação própria e na que poderá fazer com que os outros a sintam que se insere a animação musical.
Seja o educador/animador artista ou apreciador, o motivo que o impele é o mesmo: procurar experiências que sejam interessantes, variadas, expressivas e satisfatórias. Assim a música não está ligada a alguma coisa remota, a algo que tenha de ser ouvido apenas em espaços próprios como salas de concerto. A música contribui para o divertimento e satisfação quer em casa, quer na escola ou mesmo na comunidade.
A expressão musical deve proporcionar, às/aos intervenientes e compartilhar com elas/eles, uma série de agradáveis experiências musicais. Não interessa se a criança sabe música ou a toca qualquer instrumento, interessa que ela consiga exprimir-se e criar, utilizando a música e instrumentos do modo que melhor estes a possam satisfazer. Os pesquisadores da Música e os especialistas no desenvolvimento da criança chegaram à conclusão de que o divertimento pela Música, é mais importante do que a imposição de técnicas na primeira infância (Christianson)[3]. Tanto a crianças como a adultos deverá ser proporcionado o prazer pela Música.
 
 
[1]Gordon, Edwin,Teoria da Aprendizagem Musical em Recém – nascidos e Idade Pré – escolar, Ed. Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 2000, ISBN 972-31-0876-3
[2]Idem.
[3] Christianson, Helen  The Child's Treasury, Col. "O Mundo da Criança", Editora Delta, Rio de Janeiro.

 

 

Não tenho muita aptidão para estimativas, mas creio que há mais de cinquenta mil anos os nossos antepassados começaram a exprimir vagas ideias artísticas. Emitir sons musicais com os músculos da laringe, produzir ritmos com os braços ou com as pernas, e, sobretudo, entrever que a voz e o gesto se podem unir na música, ultrapassava as capacidades dos primeiros homens e mulheres. O homo sapiens começa a inventar a música, provavelmente ao mesmo tempo que a linguagem. Como? Porquê? Não se sabe ao certo. Na relação do homem com a natureza? Comunicação? Na organização da vida social? O certo é que foram descobertos instrumentos musicais e escritas de cerca de 3500 a.C., já testemunhos de uma civilização evoluída e em que a música  teria uma longa história. (centramo-nos em regiões como a Mesopotâmia, zona do Nilo, do Indo, do rio Amarelo, etc). As regiões da Europa terão descoberto a música mais tarde; é na Grécia que a música se faz, não só para as necessidades da religião, da magia, da guerra, mas também para o próprio prazer pessoal e dos outros, os ouvintes, o público: isto é novidade. Todos os filósofos da Grécia antiga falaram de música; “ Não se pode mudar nada, nos modos da música, sem ameaçar a estabilidade do Estado”, escrevia Platão. Até os sofistas, infatigáveis questionadores, nos deixaram um sentido musical muito rico, com escalas, modos, ritmos, instrumentos, etc. Dos romanos, nunca se falou como grandes músicos, dada a sua concepção de utilidade da música e da utilização dos instrumentos. Com a expansão do cristianismo, a música tende a cingir-se mais ao clero e à liturgia que tem um momento de unificação com o papa Gregório. Obviamente que ao longo dos tempos a música passará por diferentes concepções e aportamentos, relacionados com as épocas históricas e outras artes, desde a polifonia, com a evolução da notação, à Ars nova, ao movimento trovadoresco, renascimento, aparecimento da ópera, barroco, classicismo, romantismo, impressionismo, expressionismo, modernismo, vanguardismo. Recomendo-vos o link:

http://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%BAsica_cl%C3%A1ssica

Tem ouvido? Muitas pessoas afirmam, lastimosamente que não têm ouvido. São surdos esses “infelizes”? De maneira nenhuma. A maior parte não tem vontade de ouvir, os outros estão simplesmente desatentos. Consomem a música sem lhe prestar a “devida” atenção e julgam não ser capazes de apreender a realidade musical como se se tratasse de um defeito congénito. Na realidade o ouvido é extraordinariamente sensível, mas não nos damos suficientemente conta disso. Comummente respeita-se menos o ouvido do que a vista porque ele é mais passivo e não laborioso. Supõe-se também que há qualquer coisa de difícil por detrás das notas, e que esta compreensão (este “entendimento”) exige o conhecimento da “linguagem” musical, da mesma maneira que a compreensão de uma língua pressupõe o conhecimento das suas regras e do seu vocabulário. É um grave erro: a música não é uma linguagem cujos signos (os sons) possam ser esquecidos quando se compreendeu a significação. O que a música “exprime”, eventualmente, não é exterior aos sons. A sua “mensagem” não é intelectual, mas estética e “sentimental”: ela reside nas notas, no seu conjunto e na sua sucessão. Toda a gente a pode captar, com maior ou menor esforço de atenção, de hábito e até de curiosidade.

A antropologia e a etnomusicologia atestam a presença universal da música em todas as épocas e culturas. Os campos da psicologia e da pedagogia têm descoberto que crianças de tenra idade exibem comportamentos musicais nas suas brincadeiras e comunicações; até no útero da mãe, a partir do sexto mês, as crianças evidenciam comportamentos de atenção e reacção aos sons. De um modo geral, o hemisfério cerebral esquerdo liga-se à linguagem e o direito à música (claro que de uma forma muito lata).
Conforme já sintetizado nos documentos disponibilizados na plataforma, independentemente de questões de física e mais técnicas, o som tem diferentes qualidades. Em relação à natureza do som (relacionado com a fonte sonora que o produz), referimo-nos ao timbre; ainda que de forma imprecisa e pouco científica, quando nos referimos se o som é forte, fraco, etc, estamos a reportar-nos à intensidade; o som, sendo efeito de uma vibração, tem a sua altura proporcional à frequência (portanto à rapidez) dessas vibrações (quanto mais elevada é a frequência tanto mais agudo será o som).
Quanto às fontes sonoras, e independentemente até de denominações ou categorizações, creio importante sintetizar dentro dos cânones tradicionais, os instrumentos da orquestra (base) e respectivas famílias. Instrumentos de sopro de madeira: flauta, oboé, clarinete e fagote. Instrumentos de sopro de metal: trompa, trompete, trombone, tuba. Instrumentos de percussão de som determinado: xilofone, vibrafone, “sinos”, etc; de som indeterminado: bombo, caixa de rufo, pratos, triângulo, etc. Instrumentos de corda: harpa, violino, viola, violoncelo, contrabaixo. Se bem que isto se trate de um resumo, obviamente com determinadas possibilidades de variações, convido-vos à experimentação através do link: http://musicacvg.no.sapo.pt/

Quanto à educação pela música, o seu objecto é a formação como ser, como pessoa, o desenvolvimento equilibrado da sua personalidade. Não é necessário o professor ter conhecimentos musicais para poder proporcionar à criança meios e motivações para desenvolver o seu sentido musical e as suas necessidades de expressão e criação. Não se pode reduzir a expressão musical aos instrumentos especificamente musicais. Há que projectá-la ao simples canto de um pássaro, às ondas do mar, ao vento, ao falar, rir, bater palmas, etc, numa lógica de expressão autónoma e criatividade. Não interessa o ensino do saber, mas a formação do ser, através da satisfação de necessidades, instintivas, emocionais ou sentimentais e o desenvolvimento de capacidades de percepção, atenção, memória, cognição ou criação. Dalcroze, Willems, Orff, Shafer e outros pedagogos da música, desenvolveram metodologias com este propósito: não o de ensinar música, mas o de viver musicalmente a música. Claro que hoje em dia, com a universalidade da informação através da Internet, julgo que facilmente se tem acesso a actividades que promovam tudo o que referi anteriormente, complementadas com pequenas aplicações e programas informáticos como os facultados pelo professor Firmino. Deixo-vos no entanto alguns links que poderão complementar a nossa prática:

http://pwp.net.ipl.pt/eselx/marior/jogos/index.html
 

http://www.brincar.pt/jogos/jogos-de-criancas/fazer_a_musica_notas_musicais.html

 

http://www.coolkids.guarda.pt/content/jogos-musicais

 

http://dre.madeira-edu.pt/gcea/index.php?option=com_content&task=view&id=570&Itemid=248&lang=pt

 

 

 

publicado por daceaomundo às 22:54
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