Domingo, 5 de Abril de 2009

 

 

 

 

"Oh meu Deus, oh meu Deus, oh meu Deus! O que é que eu fui fazer? Mas porque raio é que me meti nisto?!
Mas… é só uma semanita! Faz de conta que vou fazer uma recruta.
Ponto de encontro: Vasco da Gama.
Está muito frio na rua...vou para dentro. Ao entrar vejo uma senhora sentada em cima da mala...será uma colega? Mas não a reconheço..."Tu também... tantas pessoas podem ter combinado tantas coisas com tanta gente!"
E espero...e espero...e espero...
De Sete Rios até à estação do Oriente. E aí é que começou…cada minuto parecia uma dúzia… a ansiedade crescia… agora é que vai ser…
Uma sandes, uma água e está quase na hora!...
O que é que vou dizer? Sê simpática, já sabes que a primeira impressão é importante.
Gare do Oriente, à espera do comboio.
Todos se olham e sorriem... será que é...? Nem vou perguntar, antes que me engane. Já viste se me engano, que mau!  Identifico este e esta pela fotografia... E aquela, quem é?
E o comboio veio, e o comboio partiu…
No comboio ascendente
Mas que grande reinação!
Uns falando, outros sorrindo,
E os outros nem sim nem não –
No comboio ascendente
De Lisboa ao Fundão
No comboio descendente
Vinha tudo à gargalhada!
Pouca-terra, pouca-terra!
Vinham sonhos, vinham gentes
Com uma história traçada
Pouca-terra, pouca-terra!
Fumo mais um cigarrinho,
Pou…ca…te…rra…pou…ca…te…rra
Já ficámos p`lo caminho
Pou…ca…te…rra…pou…ca…te…rra
Do Mundo para o Fundão
Todos, pois então!
No comboio descendente
Vinha tudo à gargalhada...
Adaptação do poema “ Comboio Descendente” de Fernando Pessoa
 
Distribuição de bilhetes pela Timoneira - Meu Deus! O que me deram para as mãos? Onde está? Já perdi! O bilhete? O bilhete? Onde está? Onde o meti!
Já dentro do combóio e com a fome a apertar o ambiente parece ser razoável... Entretanto e com a barriguinha mais composta, a coisa começa a ficar sem gelo nem stresses e começa a "aparecer" o MAEgrupo (ou parte dele).
Sentámos-nos. Calados. Vamos olhando uns para os outros e vamos sorrindo. Depois vamos falando... e falando... e falando...
À medida que o comboio rolava pela linha, desfiando paisagens e paisagens, por entre terra e água, rolava também a descoberta dos outros
Apreciei as belas paisagens que nos eram oferecidas. Olhava estes novos colegas que conhecia praticamente só de "ler". E todos me começaram a parecer cada vez mais familiares, mais próximos, mais o meu grupo... senti-me bem...
e passada meia hora já éramos um grupo ou, pelo menos, já sabíamos identificar toda a gente e já ríamos à gargalhada!...
O que para trás deixei já me sugere a saudade, mas o entusiasmo do que vai ser, para mim, uma novidade ajuda a ultrapassar.
Depois... o filtro do combustível... ou ?
…providencial foi a avaria do comboio… deu para nos conhecermos ainda melhor!!
 E, cá estamos nós, algures em Alcains, à espera do autocarro que nos irá levar à Estação do
Fundão!
O largo da estação está          deserto.
Horas: 16e02.
Domingo, cidade algo deserta, calor e eu cheguei ao Fundão.
Sento-me no passeio à espera que o comboio traga pessoas que muito ligeiramente conheci há 2 meses atrás.

…tento-me lembrar do...ora bem, do..., não faz mal, depois lembro-me porque da...da...chiça, ainda agora me lembrava do nome dela, da...
E o comboio não chega. É mesmo pouca-terra, pouca-terra, sem chegar a esta terra.
Até à Barroca foram demasiadas curvas pelo que cheguei atordoado. “Isto é o fim do mundo…”
Finalmente a chegada: todos rotos, mas eu já muito mais contente e consciente de fazer parte de um bom grupo…
  O
           Medo
                        passou!
Chegámos a um grupo já grupo. No entanto, acolheram-nos logo. Nem tivemos hipótese de cumprimentar todos. Pareceu que estávamos ali de sempre. Boa sensação aquela!
A chegada à Barroca foi animada e calorosa! Foi bom vermos as caras que faltavam e das quais já tínhamos sentido a falta!  Com este novos elementos, o mesmo sentimento de pertença! A mesma afinidade! E logo ali o Maegrupo se formou! Dirigido pelo senhor do chapéu mágico e apoiado pela senhora que toda a semana fez magia...
Partilhei com eles Os diários de Adão e Eva de Mark Twain...a ansiedade, o desejo de agradar ou de me dar a conhecer...
 
Segunda-feira
O novo ser diz que se chama Eva. Tudo bem. Não tenho objecções. Diz que é para o chamar quando queira que ele venha. Eu disse que, nesse caso, era supérfluo. Esta palavra fez-me subir na sua consideração e é, de facto, uma longa e boa palavra capaz de suportar a repetição. O novo ser diz que não é um ser, mas uma Ela. Duvido, mas tanto me faz, O que Ela seja não me faria diferença se Ela se metesse na sua vida e não falasse. (p.15)
Mark Twain, Excertos dos diários de Adão e Eva, Lisboa, Cavalo de Ferro, 2004.
A assincronia transformou-se em sintonia.
Estou com sono...gostei de todos...foi curioso quando os Maecolegas chegaram à Barroca...olhávamos uns para os outros sem saber muito bem quem era quem...agora já sei, mesmo se me enganei ao tentar adivinhar
Estou cansada, mas tão contente por ter vindo, por não ter desistido, por estar aqui.
De noite, antes de adormecer, enviei uma mensagem a tranquilizar quem tinha ouvido os meus medos durante as últimas semanas:
"Não te preocupes, está tudo bem. "
E estava. Claro que estava.
E assim começou uma semana mágica... inesquecível, neste nosso  Portugal profundo…
 Foi muito bom e pensei, ainda bem que viemos. Acabei por adormecer perdida nestes pensamentos e na expectativa do dia a seguir.
 

(texto elaborado por Rosa Montez a partir dos excertos do diário de bordo dos Mestrandos em Arte e Educação 1ºdia- DACE- 2009)

 

 

 

Gare do Oriente, à espera do comboio.

Todos se olham e sorriem... será que é...? Nem vou perguntar, antes que me engane. Já viste se me engano, que mau! Identifico este e esta pela fotografia... E aquela, quem é? A D. Liberdade é a única que consegue identificar toda a gente...

Começamos a falar, sem tema, claro! O tempo... a duração da viagem... Quem fuma, aproveita para matar o vício antes do comboio chegar...

Chega o comboio. Colocar as malas lá dentro: uma aventura digna de qualquer revisor reclamar! E as malas pesam que nem chumbo...

Sentámos-nos. Calados. Vamos olhando uns para os outros e vamos sorrindo. Depois vamos falando... e falando... e falando... e passada meia hora já éramos um grupo ou, pelo menos, já sabíamos identificar toda a gente e já ríamos à gargalhada!... (até já fazíamos asneiras língua de fora! pois, porque até era proibido fumar...)

Depois... o filtro do combustível... triste ou grande sorriso?

Filipa Silva

 

  

"Procissão das Pinhas" - Barroca do Zêzere

 

 

 A roda da Bilha de Barro - Barroca do Zêzere

 

 

 

publicado por daceaomundo às 08:00
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