Quarta-feira, 8 de Abril de 2009

 

 
 
 
 

 

Inspirado por tão belas memórias fotográficas, partilho convosco meu estado de espírito no final do 4.º dia.
“O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
Eu não tenho filosofia; tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar... “
Alberto Caeiro, em "O Guardador de Rebanhos", 8-3-1914
João Pedro Borges
 
 
 
Ementa do 4º dia
Manhã: Expressão Plástica.
Tarde: Expressão Plástica.
E com direito a surpresa pelo meio…
Noite (já bem tarde!): Continuação dos… Ah! Esta parte é segredo!
Todo o dia e sempre sob pergunta da nossa mediadora Elisa Marques, deambulamos por alguns percursos propostos no primeiro olhar…
De manhã, o percurso 1: Duas Famílias estilísticas, que culminou, quanto a mim, não com a experimentação plástica da produção de um retrato mas com o meu retrato/foto[1] ao vosso 1º olhar, em todos os rostos, sobre esses retratos…
Após o almoço tivemos direito a um brinde: Tapetes, não os voadores mas dos que nos fazem voar, pois estes são Os Tapetes Que Contam Histórias:
Magníficos! Até o protagonismo das crianças que participaram nessa apresentação e que, posteriormente a sua actuação (enquanto a responsável fazia a sua comunicação e/ou respondia às nossas questões) continuaram, abstraídas da nossa presença, a imaginar e a fazer a sua História…
De tarde, o percurso 4: A Cor Digitalizavél… com a experimentação plástica de: uma composição plástica com cores e concluído com: a poesia e as artes plásticas.
Após um belíssimo e delicioso repasto de Pasta, onde a nossa MAE Albina.it teve que pôr la mano … (será que foi por tanto por a mão na “massa” durante a Expressão do dia?) visualizámos, e também dançamos, com os Bailinhos de Carnaval trazidos pelo nosso MAE Américo.pt de uma das nossas pérolas do atlântico.
Ouvimos mais uma actuação do “nosso” João (da Barroca) mas desta vez com as mãos sobre um teclado e rumamos para a nossa lapa… mas, perante a necessidade de recato para continuarmos a nossa missão de construir a MAEtertúlia, “torcendo”, para que os professores não viessem também… Mas vieram! … Ou seja o professor Amílcar veio! (valeu o esforço D. Liberdade!...).
Estamos todos em alvoroço. Ainda há tanto que preparar para a MAEtertúlia de amanhã… e só temos esta já tardia noite e madrugada. Bem! Conjugamos esforços e foi quase isto: “uauh!... Vamo-nos deitar MAEqueridos? Que as visitas querem ir embora…” (muito obrigada Liberdade!...) confesso que senti remorsos quando ouvi e vi a expressão do nosso MAEprofessor que quando de saída, olhando para trás, diz (mais ou menos isto) à nossa Liberdade : “eu, hoje… ainda ficava mais tempo…”
Pois é: tempo… é sempre o tempo! E por falta dele… lamentamos professor Amílcar, mas tinha que ser! …
ElsaMesquita
 
 
Quando sai de nós.

Quando sai de nós tudo ganha novos sentidos. Ou um sentido.
O resultado.... o resultado é outra pergunta. E pela pergunta é que vamos.
As propostas apresentadas pela Professora fizeram-me sempre encontrar sentidos. Ou perguntas.
A expressão plástica ganha uma forma que é exterior a nós. Ganha vida por aquilo que diz, ou tenta dizer. Muitas das vezes os sentidos são só nossos. Ou só tem sentido para nós.
Os canais são abertos, são criadas direcções que nos mostram caminhos de expressão. Senti isso. Habituado que estou a usar a expressão corporal, o processo e o produto plástico ganham um lado palpável e tridimensional que na sua simbologia e iconografia está ali. À nossa frente. É reflexo. Não é reflexo físico, mas reflexo do nosso entendimento com os impulsos, emoções, sentimentos.
A forma, a cor, a linha, o traço, o olhar.
Saber ver, saber vermo-nos, saber ver o outro. Saber que o instante que traduz um caminho de criação foi fixado. Está imutável. É registo que não se mexe. O que pode alterar é o modo como olhamos para ele.

Ricardo Cavadas
 
 
Café! Café! Café!
 
Um olho aberto, outro fechado a caminho da casa de banho, e na minha cabeça a bater em ritmo desenfreado: café! café! café! (Isto é como dizia a empregada da minha sogra: “É ca fé qu’a gente se salva”)
Só com um pequeno-almoço descansado, lento e bem regado, com o dito, é que as ideias começam a aclarar.
Descemos pela bela encosta direito à Barroca, com um misto de sonolência e de curiosidade…
Hoje vamos voltar à expressão plástica.
 
Mais um cafezinho, à entrada para a sessão da manhã…
 
“O primeiro olhar”, o primeiro olhar, também foi o meu. Nunca tinha visto as artes plásticas sobre este prisma de intervenção directa a nível, de aquisição de outras competências, e até como veículo regulador de comportamentos sociais.
Foi descoberta atrás de descoberta, sem dar pelo tempo a passar.
“Também sou artista, eu?”, vou pintar a pastel!!! Será? Será que vou fazer alguma coisa de jeito? Quem é que vou pintar? Já sei! O Júlio! Posso fazer corpo inteiro? Assim posso fazer um retrato sem ter que desenhar feições. Surpreendi-me…, surpreendi-me, mesmo, e gostei do que fiz.
E, o OLHAR, o meu olhar e os deMAES? Meio hipnotizados frente ao mural de pastel…, frente ao mural de carvão…
 
Bem espera-nos um bom bocado de trabalho ainda esta noite…, a MAE Tertúlia ainda está por concretizar…
 
O quê o Professor Amílcar, também vem connosco?!
Liberdade, Liberdade! Socorro, Liberdade!
 
Cá vamos nós então trabalhar no alinhamento, ao som dos copos e das chávenas…
 

Actividade
Recursos
Resp./Interv.
Tempo
Marcha Turca
Bombos de Lavacolhos, aparelhagem de som.
Fausto
1’ 10’’
Gueisha/Saltibanco
Texto
Filipa, Ricardo
?
Dramatização (Pai!)
Texto
Júlio, João P, Rosa
?
Gueisha/Saltibanco
Texto
Filipa, Ricardo
?
Canção “Gaspar”
Teclado, Boneco da Rosa
Cristina, Fausto, Ana F.
 
Gueisha/Saltibanco
Texto
Filipa, Ricardo
 
Poesia
Barcos em papel origami
Ana P., Lucy, e deMAES
 
Gueisha/Saltibanco
Texto
Filipa, Ricardo
 
Cânone “Un Chiodo”
Canção, teclado
Maria João, deMAES e população
 

 
Maria João Veloso
 
 
 
O acordar de hoje foi estranho…acho que não me apetece falar, talvez me apeteça… podem sempre falar comigo, que eu sorrio. Dói-me a cabeça e o corpo todo, será que estou a chocar alguma?
Comer, o que eu preciso é de comer e de um cafezinho no Central, e plástica. Acho que é hoje que vamos meter a mão na massa!!
(…)
Estou mesmo incomodada. Por vezes quando o corpo não está bem a mente tem pensamentos estranhos. Desde que chegámos sempre correu tudo bem, todos falamos com todos numa ânsia de nos conhecermos e de procurar o nosso lugar neste grupo. Hoje sinto-me deslocada, à parte…não sei porquê, parece que estou a ver-me de fora e toda a acção se desenrola e eu não sinto.
E o tempo passa!
O corpo melhora e a cabeça deixa-se de disparates. Aproveita, digo para mim, não vais voltar a viver esta experiência, deixa as introspecções para quando estiveres sozinha.
 
Quem vou desenhar? Hum…a Cristina tem um penteado apelativo…o Jorge dava uma boa caricatura e o Júlio também…a João, a Maria João tens uns olhos muito expressivos, é isso vamos lá ver se sai alguma coisa de jeito!...e que bem que soube, bolas, estive tanto tempo com os olhos que agora não tenho tempo de fazer o resto como deve de ser…
Ana Ambrósio
 
 
Nunca pensei que pudesse realmente gostar de algo que tivesse desenhado, mas o retrato da "Rosinha" (Tânia) deu-me tanto gozo a fazer! E que surpresa foi o "Primeiro Olhar"!
E à noite... o pânico: "O professor Amilcar vem? E como é que preparamos a apresentação?"  Sentia-me como se fizesse parte de uma camorra. Pobre professor... todos na cozinha a conspirar e ele na sala, sem saber de nada! Mas ele ia gostar da surpresa! E nós também! Mais uma vez, a Liberdade salvou o dia!
Ana Ferreira
Passámos pelas definições de Arte, por algumas teorias, chegámos à estética para depois continuar com a questão pedagógica e qual seria o modelo mais adaptado as escolas portuguesas.
O dia com os dedos sujos
O prazer de pintar com as mãos
Sempre um prazer renovado
Um momento em que a respiração se alia silenciosamente ao movimento
Ana da Palma
 
Ai mãe! Expressão Plástica outra vez!
Ontem foi a parte teórica (que amei), mas hoje a prof. já avisou que vamos "meter a mão na massa"...é hoje que fico já chumbada!
O Quê?? Desenhar um colega? Ahahaha. Que desgraça!
Olha, vou desenhar a chavala Ana F.! Hum... sabe bem... Uau! Até ficou giro!
Acho que fiz as pazes com a Expressão plástica! Parabéns prof. Elisa por ter conseguido o que eu achava o impossível!
À noite (depois de encher a barriguinha mais um bocadinho)...
Então mas os "adultos" vêm com a malta para a apousada? E a Tertúlia??
Cristina Fernandes
publicado por daceaomundo às 14:48
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